terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Olhares Maternos sobre o Natal - Catarina Beato


Catarina Beato






A mamã, que hoje nos fala, adora escrever. Apesar de já ter feito um pouco de tudo, é nas palavras que encontra a sua paixão. É, actualmente, jornalista freelancer, autora das Crónicas de uma Desempregada, na Dinheiro Vivo e blogger nos Dias de uma princesa, que também já originou um livro com o mesmo nome. Dá também vida ao projecto Loove, através dos seus textos. 
É um exemplo de coragem, agarrando a Vida de frente e reinventando-se todos os dias, tendo ultrapassado uma situação complicada de desemprego, com dois filhos a seu cargo.
Descubram um pouco mais sobre a Catarina Beato, aqui:

Qual o significado do Natal para si?

Serei a pior pessoa a quem fazer esta pergunta. Não gosto do Natal. Corrijo: não gosto da pressão do Natal. A culpa foi do meu pai, de quem morro de saudades, mas era a criatura mais trombuda desde mundo estragava a noite de Natal à família toda. Não me lembro de uma noite de Natal sem choro antes de ir dormir. Aprendi a fugir do Natal e, felizmente, os meus filhos têm a outra parte da família que faz a festa por mim. Esta é a verdade, nada natalícia.

Quais as vossas tradições familiares desta época?

Para mim o Natal era o dia em que ia com a minha mãe às compras: ao Chiado, a Coimbra, ao Porto. Era o nosso passeio. Aquele que, ainda hoje, lhe peço para fazermos todos os anos. Agora gosto ir ao Funchal no Natal, de passear à noite no meio de todas aquelas luzes, de ver o mar na manhã de dia 25. Conto-lhes a história do Natal (nascimento de Jesus) porque, apesar de não ter religião, acho que os feriados devem ser explicados e respeitados.


O Natal e as crianças: como mãe de dois filhos, como é que eles vivem esta quadra?

Apesar dos meus problemas com o Natal, prometi sempre não passar isso aos meus filhos. Fazemos a árvores (que ocupa a sala toda) e muitas luzinhas. Ficamos na sala muito quietinhos a ver a iluminação da nossa rua. E cantamos todas as músicas de Natal. Não ofereço prendas (já se arrependeram de me ter feito estas perguntas?) a ninguém. As pessoas já sabem e não estranham. Aos meus filhos dou prendas durante todo o ano.

Qual a crónica de Natal perfeita para si?

Aquela que vai sair na revista de Natal do El Corte Inglês e que, por acaso, é minha.

Presentes: quais as suas sugestões?

A minha única sugestão é estar atento. Oferecer aquilo que sabemos que a outra pessoas vai gostar mesmo, ou que precisa mesmo. Não interessa o valor. A minha prenda de Natal preferida é comer aquilo de que gosto, chegar a uma mesa de Natal e perceber que se lembraram de mim [basta ver batata doce caramelizada ou as minhas filhoses].


Uma receita natalícia

Filhoses do Alentejo, a receita dos meu Natal de infância, o sabor do meu Natal.

Ingredientes
1 kg farinha de trigo sem fermento
3 laranjas cortadas ao meio
3 ovos
1 copo de aguardente
100 g banha derretida
3 a 4 colheres de sopa de azeite previamente aquecido com uma côdea de pão (para lhe retirar a acidez)
Óleo para fritar q.b
sal q.b

Pôr a farinha num alguidar, fazer uma cova e espremer o sumo das laranjas dentro da cova. Deitar os ovos, o sal e a aguardente.
Entretanto, aquecer o azeite. Quando estiver quente, fritar uma côdea de pão para lhe retirar a acidez.
Depois retirar a côdea e deitar o azeite na farinha juntamente com a banha derretida. Amassar muito bem.
Pôr um pouco de água a ferver com as cascas das laranjas, mas só durante 2 a 3 minutos para não amargar.
Regar pouco a pouco a massa com a água quente das cascas, à medida que vai secando. Continuar a amassar até que a massa não pegue nas mãos. A massa tem de ficar quente para se poder esticar bem. Pode cortar a massa em dois pedaços e amassar uma metade de cada vez.
Polvilhar a mesa com um pouco de azeite e experimentar esticar um pouco de massa. Se ela se partir ainda não está boa. Continuar a amassar até que fique mais elástica e se consiga esticar bem. Depois com o rolo (ou se não tiver uma garrafa de vidro) untado um pouco de azeite estender devagarinho a massa o mais finamente possível. Cortar a massa com uma recortilha em forma de rectângulos ou quadrados e fazer três riscos ao meio. Pegar delicadamente e colocar numa toalha para ir secando.
Depois de estendidas todas as filhoses, fritá-las em óleo quente, onde também previamente se fritou uma côdea de pão. Virar as filhoses no óleo e retirar logo a seguir para não ficarem queimadas.
Colocar numa travessa. Na altura de servir, polvilhar com açúcar.




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