terça-feira, 29 de março de 2016

Crianças e Restaurantes: Uma combinação para esquecer?




Este não é o típico post do Dia do Pai.

Este ano [2016], saímos pela primeira vez a quatro para irmos a um brunch, nessa data. Esperámos até aos 7 meses do Afonso, para um programa deste género, para que tudo corresse o mais tranquilamente possível e, nosso caso, correu. Será de relembrar que os primeiros meses do nosso bebé mais novo não foram nada silenciosos, motivo pelo qual restringimos as saídas por períodos breves, a jardins (e essas também correram bem).

O brunch que escolhemos era um "Especial Dia do Pai" para ser baby e child friendly, sendo normal a presença de muitas famílias com crianças de todas as idades. É também normal haver sempre mais agitação,  algumas correrias, pedidos e alguns choros neste contexto.

Durante a nossa refeição, numa mesa um pouco mais afastada, estavam duas bebés que efectivamente choraram bastante. Mais uma vez, poderemos pensar que todos os pais sabem que estas situações são normais com crianças pequenas, porque têm sono, ou têm fome ou simplesmente estão aborrecidas... Mas será que todos pais sabem mesmo que isto acontece? Pelo que presenciei, aparentemente não.

Na mesa imediatamente encostada à nossa, estava um casal com dois filhos no intervalo 7-10 anos. Na ausência destes últimos que estavam num workshop, essa mãe fez o seguinte comentário, com um ar bastante enfadado: “Vim aqui para comer descansada e agora é isto”, referindo-se às bebés que choravam. Apesar do comentário não me ser dirigido em particular, senti-me bastante incomodada com esta falta de compreensão, porque eu também estava ali com um bebé que por acaso esteve sempre bem disposto e quando ameaçou algum descontentamento, bastou pegar-lhe ao colo e levá-lo a passear um pouco para ficar sossegado. Porém, o comentário não ficou por ali… Ainda acrescentou: “Dava vontade de dizer ao chefe de sala que viemos com filhos, mas os nossos já não choram”. E será que nunca choraram? Será que nunca estiveram num espaço público com os filhos a chorar? Ou já se esqueceram?
Serão as crianças e os restaurantes uma combinação para esquecer? A resposta resulta de um equilíbrio entre o espaço escolhido, duração da refeição e a idade da(s) criança(s), o que no caso acima pareceu-me correctamente conciliado.
A propósito desta questão, vale a pena (re)ler esta crónica de João Miguel Tavares, quando Miguel Sousa Tavares comentou a limitação legal do fumo nos restaurantes, afirmando que as crianças incomodam muitíssimo mais.
Pois... Mas pelo menos não fazem mal à saúde...
Até já!

8 comentários:

  1. Vindo de uma mãe é bastante triste esses comentários. Deve ter tido bebés que não choravam, nasceram logo a falar ;)

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  2. A minha bebé com quase três meses já foi várias vezes a restaurantes connosco. Escolhemos restaurantes simpáticos, calminhos e até agora nunca chorou nem mostrou ficar incomodada. Mas, mesmo antes de ser mãe nunca me incomodou o choro das crianças que estão mais cansadas ou impertinentes. Faz parte. Nós também já fomos pequeninos e gostávamos de acompanhar os nossos pais. Sentíamos que já éramos crescidos. O que me incomoda é o silêncio das famílias que estão ligadas aos rablets e telemóveis e não falam entre si.

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    1. Olá Teresa,
      A Alice, ao contrário do Afonso, também começou a ir connosco a esplanadas e restaurantes bastante cedo, a partir dos 2 meses, aproveitando o tempo quente dos meses de Verão e foi sempre muito bem disposta. Concordo inteiramente que as famílias devem estar juntas o mais possível, nomeadamente nos momentos das refeições, sejam elas dentro ou fora de casa. A questão da falta de comunicação e isolamento provocadas pelos gadgets é algo ter sempre em conta e devemos limitar a utilização por parte de todos os membros da família durante, pelo menos e lá está, os momentos das refeições. No entanto e quando as crianças ficam um pouco mais velhas (2/3 anos), o recurso a um jogo ou a uma aplicação para colorir, num tablet, pode ajudar naquela fase final antes de terminar uma refeição fora de casa que possa ter-se prolongado, quando as restantes formas de entreter já se esgotaram. Um beijinho nosso

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    1. Olá Catarina. Não era bem isso o que queria dizer. Vou tentar explicar melhor e dar um exemplo concreto. No outro dia estava a almoçar e ao meu lado sentou-se uma família pais e dois filhos
      Desde o momento em que se sentaram até pagarem a conta não trocaram uma palavra e estiveram os 4 entretidos com os seus telemóveis. Isso é o que me incomoda e não o entreter as crianças com um desenho animado ou um joguinho. Beijinhos.

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    2. Olá Teresa,
      Sim, eu percebi a situação. O meu comentário anterior ia apenas no sentido de olhar também para o lado positivo dos gadgets, a par do lado muito negativo do isolamento e falta de comunicação nas famílias. Beijinho

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