domingo, 9 de outubro de 2016

Uma questão de prioridade?





Quem tem prioridade numa fila? 

No passado Domingo, fomos até ao Ikea em busca de mais soluções para organizar os brinquedos da Alice e do Afonso. Quando chegou a hora de irmos os quatro para a caixa, fomos para uma caixa de atendimento prioritário. Será de notar que estas caixas têm uma sinaléctica que informa que todos os que se enquadrem nos grupos de pessoas abrangidos por esse direito de prioridade, devem dirigir-se ao respectivo colaborador para poderem usufrui-lo. Nós não o fizemos, respeitando a ordem da fila já existente e que aparentemente não incluía ninguém nessas circunstâncias. Fomos recebendo alguns olhares discretos pela presença do nosso bebé (na qualidade de acompanhantes de criança com idade inferior a 2 anos), mas tudo foi prosseguindo como estava até aí... Até ao ponto em que o Afonso cansou-se de estar parado, começando a querer escapar daquela pausa e a chorar (alto). Nesse momento, o casal que estava à nossa frente cedeu-nos passagem. Entretanto, atrás de nós, a fila tinha crescido com mais pais nas mesmas condições que as nossas... 
Esta não é uma questão pacífica e foi alvo de revisão legal recente, através do Decreto-Lei n.º 58/2016, de 29 de Agosto (este decreto-lei só entra em vigor a 27 de Dezembro, isto é, 120 dias após a data de publicação), estendendo-se a espaços públicos e privados, definindo de forma mais clara quais os grupos de pessoas que têm direito a atendimento prioritário, nomeadamente o grau de incapacidade ou a idade limite das crianças de colo, bem como a aplicação de coimas em caso de incumprimento.
Nas minhas experiências enquanto grávida e mãe de duas crianças, passei por duas situações extremamente desagradáveis no que respeita a prioridades: 
- Quando estava no último trimestre da gravidez da Alice, em 2013, e estava na fila de um laboratório que não tinha senhas a funcionar nesse dia, a colaboradora da recepção fez questão de me dar prioridade, sendo que uma senhora que estava à minha frente rapidamente soltou a observação "Gravidez não é doença e não tem nada que ser atendida primeiro". Não sendo um espaço público, não havia qualquer obrigatoriedade de me darem prioridade e não sendo eu uma pessoa que goste de me envolver em conflitos, aguardei pela minha vez.


- Num parque de estacionamento, estava a Alice com cerca de 7 meses, estacionei num lugar que estava reservado a idosos, grávidas, acompanhantes de crianças de colo (o meu caso) e portadores de incapacidade, pois não é fácil ter espaço, nos lugares normais, para passar com um carrinho e abrir a porta o suficiente para colocar o ovo. Nesse parque, não havia a distinção de lugares entre os três primeiros casos e os portadores de incapacidade que têm os veículos identificados, que é o correcto. Acabada de sair do carro, reparei que um "zeloso cidadão" ficou parado a observar em pormenor o meu carro. Quando questionei se havia algum problema, respondeu-me "Não vejo aqui nenhum dístico", ao que respondi, "Repare naquela figura representada em 2.º lugar no sinal da parede: acompanhante de criança de colo. Ainda não atribuem dísticos para essas situações." Escusado será dizer que, na sua minuciosa análise, escapou-lhe a presença do ovo, no banco de trás do carro. A situação ficou por ali.
Penso que desde que tenhamos respeito uns pelos outros, tudo pode funcionar bem, sem ser necessário invocar a lei. Sou incapaz de utilizar espaços de estacionamento reservados para o efeito se não estiver com o bebé; não me sento em lugares reservados em transportes públicos, preferindo ir de pé e não vou para caixas prioritárias, se não estiver com o Afonso. 
Esta é apenas a minha opção, pois desde que haja cedência de passagem nas caixas prioritárias ou de lugar reservado em meios de transporte colectivos, os direitos de quem tem prioridade continuam a ser assegurados. Com a extensão da lei aos espaços privados, desconfio que vão surgir muitos conflitos em coisas tão simples como uma ida a um restaurante...
Como têm sido as vossas experiências?




(Scroll down for english)




Who should get priority service?
Last Sunday, we went to Ikea in order to buy some storage for Alice's and Afonso's toys. When the 4  of us got to the checkout counters, we chose a priority checkout counter. These counters show the information that any person entitled to priority should ask for it to that staff member. We didn't ask for it (we could, since we were with a child under 2 years old) and waited in line (which at the time didn't have, apparently, anyone entitled to priority).  As Afonso got restless and began to cry, the couple ahead of us decided to let us through. Behind us, the line had grown with many parents sharing our situation...
This is a delicate matter and the portuguese priority service law has been recently extended to both public and private services, protecting disabled people, elderly people, pregnants and anyone with a child under 2 years old.
I think that if we just respect one another, this kind of laws wouldn't be so necessary... But the fact is that they are, because people are to much focused on themselves.
I have experienced much unkindness during the last term of my first pregnancy and later, when Alice was about 7 months old, when some people around me wanted to deny me the possibility of priority as I went to pregnancy lab tests (in this case, they were successful) and has I was parking my car, carrying my baby girl.
Please tell us about your experiences!!


Até já! See you soon!



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