terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pequenos e doces tiranos





Ser mamã/papá é a melhor coisa do mundo e não o trocávamos por nada, mas é também a mais exigente, do nosso ponto de vista, não só pelos constantes malabarismos para chegar a tudo e a todos, conjugando maternidade/paternidade com trabalho e rotinas caseiras, mas principalmente pela exaustão que os primeiros meses de vida provocam. 
A privação de sono é um inimigo tortuoso que vai consumindo a energia, a concentração e a disponibilidade física e mental. Quando conjugamos um recém-nascido com uma menina muito activa de 2 anos e meio em casa, 24/7, a combinação é, muitas vezes, explosiva.
A nossa pequena pirata está cada vez mais autónoma, voluntariosa e engenhosa. Se não chega a alguma coisa, arranja algo a que possa trepar para prosseguir o seu objectivo, não reconhecendo o perigo em que se coloca... Logo a atenção tem de ser redobrada.

Realizar tarefas simples como aquecer uma sopa (normalmente ao lume, para que o calor seja distribuído uniformemente), torna-se extremamente difícil devido às interrupções regulares: "mamã, quero água", "mamã, quero uma banana", "papá, quero a Elsa (leia-se Frozen)", "papá, quero jogar à bola"... Adicionemos um bebé a berrar... Adicionemos ainda uma menina a berrar... A nossa cabeça já cansada (a privação do sono é realmente arrasadora) parece que vai estoirar sob o peso daquela sinfonia de lamentos lancinantes. É aqui que entra o verdadeiro trabalho de equipa: quando um de nós está quase a chegar ao limite de desgaste, o outro entra em cena, para trocarmos de tarefas. Há dias melhores e dias piores: quando a Alice gosta de ajudar a arrumar os brinquedos que espalhou (o que ainda é raro), quando responde logo à primeira vez que é chamada (para comer, tomar banho, etc.), quando o Afonso está tranquilo e não se entrega à sua "hora azul" (expressão de uma amiga da família para designar o stress das crianças ao fim do dia), tudo corre suavemente. Mas há dias, normalmente aos fins de semana que têm sido chuvosos, em que tudo se acumula numa espiral descontrolada de brinquedos pelo ar, fugas e (muito) choro.

Numa destas noites vigilantes, recordei-me de uma cena do filme Hook, de Steven Spielberg, em que o Capitão Gancho tece um discurso jocoso às constantes solicitações das crianças, rematando com uma repetição das suas expressões mais usadas: "Eu quero, eu quero, eu quero"; "Eu, eu, eu"; "Meu, meu, meu"; "Agora, agora, agora" (vídeo em baixo). 
Faz tudo parte do processo de crescimento e citando a Olga Reis, psicóloga e autora do blog O Rei vai Nu, "para compreender o comportamento da criança é importante esclarecer que, normalmente, entre um ano de idade e os quatro anos de idade, a criança é egocêntrica, acredita que o mundo existe e funciona em função dela e das suas necessidades." (extraído do post 10 dicas para lidar com a agressividade das crianças).

Já os bebés são puro instinto e adaptação ao mundo exterior que os rodeia e não podemos dizer que seja fácil para eles. Certamente, não o é para o nosso, com as suas lutas com as cólicas e com o sono. 
Em jeito de conclusão, só podemos esperar que todos os nossos "problemas" se resumam apenas a estes e que as coisas realmente importantes como a saúde e o bem estar dos nossos filhos permaneçam sempre intactos. 
Mas às vezes ainda sonhamos com um botão de off...



Até já!

1 comentário:

  1. Com um é difícil...com doooiisss..... tenho que pensar bem nesta questão!

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